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Minha experiência como Dr. Pet

Revista Cães & Cia, n. 363, agosto de 2009

Alexandre Rossi conta como é ser o Dr. Pet, do Domingo Espetacular, e responde às principais dúvidas e curiosidades das pessoas sobre seu quadro na televisão

O meu envolvimento com o quadro Dr. Pet, do Domingo Espetacular (TV Record, domingos à noite), e a repercussão dele estão mais intensos do que todo o trabalho já feito por mim, incluindo o que é divulgado em meus livros e pela mídia, há bastante tempo.

Realização pessoal
Decidi, há mais de 10 anos, que minha missão profissional seria integrar o Cão da melhor forma na sociedade. Escolhi fazer isso por meio da educação dos cães e de seus proprietários. Escrevi livros, criei uma empresa com esse objetivo e participei de programas e de entrevistas para divulgar idéias e técnicas que fariam diferença.

Não esperava ter, nesse momento da minha vida, a oportunidade de poder ajudar tantas pessoas a conviver melhor com seus animais. O personagem que criaram para mim, Dr. Pet, em poucos meses ficou mais conhecido que eu mesmo, Alexandre Rossi, e que a minha empresa, Cão Cidadão.

Não tenho intenção de ser consumido pela TV - frequentemente ficamos grande parte do dia gravando. Mas percebi que essa é uma grande chance para divulgar conceitos, técnicas e dicas em massa, permitindo ajudar a população a viver melhor e a tratar melhor de seus bichos. Por isso, meus outros projetos e atividades terão de esperar até o Dr. Pet parar de fazer sucesso e sair do ar.

Sofia
Embora o Dr. Pet faça bastante sucesso, nem se compara com o sucesso da sua assistente canina, Sofia. Sempre fui fã da minha filhota, algo normal para qualquer pai coruja. Mas o que eu não esperava era ela conquistar tantos fãs. Aonde vou, sempre perguntam: cadê a Sofia? Quando estou com ela, dificilmente alguém me cumprimenta antes de "falar" com ela. É impressionante! Não, não fico com ciúmes, fico orgulhoso!

Sofia adora participar do quadro e me ajudar. Só fica com preguiça quando temos de ir muito cedo para as gravações. Ela é igual ao pai, gosta da noite. Apesar de já ter 7 anos, se interessa por tudo e adora uma brincadeira. Dos quinze quadros que já gravamos, amou dois. E, ao perceber que estávamos chegando ao lugar da gravação, já começava a tremer e a chorar de ansiedade, querendo descer do carro e se divertir. É, Sofia é uma garota bastante ansiosa!

Resultados em uma semana?
O desafio do Dr. Pet tem sido resolver em apenas uma semana o problema comportamental do cão enfocado. Muitas pessoas que encontramos perguntam, desconfiadas, após elogiarem o quadro, se o problema foi mesmo resolvido em apenas uma semana. A resposta é sim. Apesar de muitos não acreditarem, a solução tem de ser conseguida por um motivo lógico: é preciso pôr no ar um caso por semana. E ainda não conseguimos ter um quadro em estoque, gravado antecipadamente.

Só vão ao ar quadros que dão certo?
Não sei ainda responder essa pergunta. Felizmente, todos os cães participantes obtiveram melhora significativa, fácil de perceber no vídeo, inclusive pelas manifestações entusiasmadas dos proprietários. Mas sou favorável à exibição também de casos que não deram certo. Isso dá maior credibilidade, já que não existe quem sempre acerte. Já o diretor do programa acha que o Dr. Pet resolve tudo e que, portanto, o quadro não deve ir para o ar se o tratamento não der certo. Estou tentando convencê-lo do contrário...

O cão fica curado do problema?
Muita gente nos pergunta se os problemas ficam definitivamente resolvidos ou se voltam após algum tempo. Em geral, para um problema comportamental não voltar, é preciso que, depois de ter sido corrigido, as pessoas continuem a agir com o cão de maneira correta. Muitas vezes, isso não acontece. Não é fácil para um ser humano mudar seus hábitos e modos de lidar com gente e animais. O bacana é as pessoas perceberem que é possível melhorar muito o comportamento dos cães, bastando mudar o comportamento dos donos deles.

Tenho muita vontade de fazer um especial que mostre, depois de algum tempo, como está cada um dos casos atendidos. Com base na minha experiência clínica, uns 50% dos problemas voltarão, infelizmente. Até a mudança estar mais consolidada, é ideal que um adestrador acompanhe o caso por alguns meses. Felizmente, essa foi a opção feita em alguns casos atendidos pelo Dr. Pet.

Show e técnica: educação canina levada a milhões de pessoas

Revelando segredos do Dr. Pet

Conheça alguns “truques” usados pelo Dr. Pet

Revelar segredos de bastidor desfaz um pouco a "magia" de um programa. Mas, mais do que dar show ou fazer mágica, quero ensinar pessoas. Ao mesmo tempo, não devemos esquecer que show faz parte da televisão. Mesmo porque, se não for gostoso de assistir, o quadro sofre redução na audiência e sobrevive por menos tempo, resultando em menor quantidade de pessoas com acesso às informações.

Minha intenção é me aproximar do telespectador, mostrar que é possível aproveitar o que é mostrado. Quando o resultado é muito bom, mas não ficam claros os procedimentos e a dedicação das pessoas envolvidas, o resultado pode parecer muito fácil e rápido, aumentando a chance de as pessoas se decepcionarem ao tentar educar o cão em casa.

O poder da edição

Enquanto as gravações geralmente levam horas, o quadro é exibido em apenas uns 15 minutos. Muito tem de ser cortado, quase sempre dando impressão de um trabalho mais fácil do que realmente foi. Também, não há como mostrar o que aconteceu quando não se estava gravando – e muita coisa ocorre nesses momentos. É preciso, portanto, ter consciência de que o quadro é um resumo do resumo de um processo intenso, que demorou uma semana inteira.

A pressão da TV
Saber que o resultado do trabalho será divulgado para milhões de pessoas faz com que a família dona de um animal leve tudo muito a sério. Eu nunca tinha conseguido tanta cooperação. Houve até quem faltasse ao trabalho ou tirasse uma semana de férias para se dedicar ao tratamento de seu pet.

Dificilmente alguém segue à risca as orientações dos especialistas. Mas quando boa parte do procedimento é filmada e analisada, como acontece com o quadro, tudo muda de figura. Sem termos consciência, essa sistemática aumentou muito as chances de os problemas serem resolvidos.

"Manipulação" das expectativas
Quando o proprietário apresenta um ou mais problemas para serem resolvidos, procuro estabelecer metas possíveis de atingir. Com isso, nem sempre o caso é plenamente resolvido, embora possa dar essa impressão. Alguns exemplos:

1. Uma proprietária quis que seus dois Pit Bulls vivessem novamente em harmonia, sem brigas. Estabeleci um objetivo intermediário: os cães ficarem juntos na presença dos donos, os quais deveriam estar preparados para repreender qualquer atitude agressiva. O objetivo foi alcançado e a impressão geral foi que o problema estava resolvido.

2. Um Pastor Belga era agressivo e se automutilava, atacando a própria cauda. A proprietária queria que ele deixasse de ser agressivo com as pessoas e que parasse de se automutilar. Determinei como objetivo o cão não manifestar agressividade ao sair para passear, ao tomar banho e ao ter os ferimentos da cauda tratados. Mais uma vez as metas foram alcançadas na semana, mas o problema não foi totalmente resolvido. O sucesso do Dr. Pet, porém, foi comemorado por todos.

Determinar objetivos atingíveis é uma boa estratégia de vida. Dessa forma, vamos sendo estimulados pelos nossos próprios resultados. É muito gostoso ver a felicidade dos proprietários ao ser alcançada a meta proposta, mesmo que o problema esteja na metade da solução.

Uso de petiscos
Reforçar comportamentos corretos e desejados e conseguir focar a atenção do cão em algo são resultados primordiais para o sucesso da maioria dos tratamentos. Para conseguir isso, a recompensa mais prática e útil são os petiscos caninos. Meus bolsos estão sempre cheios deles. Até aí, sem segredos. O segredo está na dieta necessária para a maioria dos cães se interessar por petiscos durante as diversas situações de treino. É comum encontrar cães com alimento disponível o dia todo ou que estão obesos, situações indesejáveis tanto para poder controlá-los, quanto para a saúde deles. Normalmente, uma semana antes da gravação, os proprietários são instruídos a dar a quantidade certa de ração aos cães, além de controlar os petiscos em outros horários. Com esses procedimentos, aumenta também o interesse dos cães por petisco, transformando as guloseimas em ferramenta realmente capaz de reforçar comportamentos desejados e de mudar o foco de atitudes erradas ou não desejadas.
 



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